{"title":"UM HELIC\u00d3PTERO PARA CHAMAR DE NOSSO","type":"post","content":"

COM O COMPARTILHAMENTO DE AERONAVES É POSSÍVEL REDUZIR CUSTOS. SAIBA QUANDO ISSO INTERESSA.<\/p>\r\n

Conhecido pelos métodos espartanos de gestão e por sua aversão a gastar dinheiro com luxos corporativos, o bilionário Warren Buffett permitiu-se uma liberalidade em 1989. Cansado de ser abordado sobre dicas de ações por companheiros de viagem em seus inúmeros voos para fechar negócios, Buffett gastou US$ 6,7 milhões em fundos de sua empresa, a Berkshire Hathaway, na compra de um avião executivo. O bilionário optou por um modelo relativamente simples, um Challenger 600, lançado pela canadense Bombardier em 1978, e com capacidade para até 19 passageiros. Consciente de que isso representava uma guinada após suas insistentes críticas contra esse tipo de despesa por parte dos CEOs, Buffett batizou o avião de “o Indefensável”. Sua piada recorrente nas reuniões de acionistas da Berkshire era que, após sua morte, a companhia teria um lucro de US$ 5 milhões, com a venda imediata da aeronave. No entanto, quase duas décadas depois, ele demonstrava tamanho apreço pela aeronave que mudou o apelido para “o Indispensável”. E não parou por aí. Buffett colocou mais dinheiro dos acionistas no negócio.<\/p>\r\n

Ao voar no “Indefensável”, Buffett percebeu a diferença a seu favor. Executivos como ele, com agenda apertada e tempo escasso, tinha de enfrentar uma ineficiência crônica nos aeroportos. Além dos embaraços provocados por companhias aéreas dedicadas a cortar custos, por meio da redução do número e da frequência dos voos, o aumento das exigências de segurança após o atentado contra o World Trade Center, em setembro de 2001, instalou um atraso adicional nas viagens. Algumas dessas dificuldades poderiam ser superadas se o executivo voasse no próprio avião, sem falar na possibilidade de aproveitar o tempo de deslocamento para conversas muito reservadas. Convencido de como a aviação executiva facilitava muito a vida dos executivos Buffett comprou uma empresa dedicada ao compartilhamento de aeronaves. Hoje, a americana NetJets é não só a maior do ramo, mas também é considerada um modelo para o setor. Sua estratégia de negócios baseia-se no fato de que manter um avião é muito caro. Então, com planejamento e organização, é possível dividir seu uso entre vários passageiros, diluindo os custos fixos de manutenção e hangaragem, que é o estacionamento do avião no solo.<\/p>\r\n

Um dos que se convenceu das vantagens foi o empresário paulista Clóvis Gomes, de 51 anos. Depois de atuar durante alguns anos como incorporador na cidade de São Paulo, mudou de atividade e, atualmente, ele se dedica ao desenvolvimento de propriedades fora do perímetro urbano. Uma parcela importante do seu tempo consiste em encontrar locais para o desenvolvimento de novos empreendimentos, sejam residenciais ou corporativos. “Boa parte do meu negócio é procurar terrenos que sejam adequados para a criação de loteamentos ou de galpões para logística”, diz ele. “Muitos locais são de acesso difícil por carro, então compensa contratar um helicóptero para levar um sócio ou investidor interessado.” Ele tem em vista não apenas a praticidade, mas também a segurança. “Quando o terreno fica em um local ermo, é perigoso chegar lá com um carro mais sofisticado, isso chama muito a atenção.”<\/p>\r\n

Gomes serve-se de empresas de compartilhamento de aeronaves desde 2008. Pelo contrato, ele tem direito a 20 horas de uso por mês, que custam em média R$ 20 mil. Na ponta do lápis, diz ele, o gasto compensa. “Quando não uso integralmente minha cota, eu a repasso para um dos meus sócios ou investidores.” Uma das vantagens é que sua empresa não tem de se preocupar com a gestão e os custos de manter uma tripulação. A conta é simples. “O custo fixo de manutenção de um helicóptero compartilhado em quatro cotas cai para menos de 25% do gasto em manter uma aeronave própria”, diz o empresário paulista Marcus Matta, presidente da empresa de compartilhamento Prime Fraction Club. A empresa, diz ele, oferece os mesmos serviços para aviões, e também para embarcações, pensando no lazer do cliente. Segundo Matta, além de gastar menos, o cliente não precisa se preocupar com manutenção e regras de segurança aeroviárias. Entre os usuários, todos muito discretos, estão banqueiros e artistas. “Um ator que não consegue comparecer à gravação de um comercial, ou um cantor que perde um show porque o voo foi cancelado, deixa de ganhar um cachê de dezenas de milhares de reais”, diz Matta.<\/p>\r\n

Vale a pena? Segundo o consultor financeiro independente Fernando Costa, antes de se decidir por uma aeronave exclusiva, totalmente própria ou compartilhada, o candidato tem de fazer uma conta simples. Uma hora de uso de um helicóptero pode custar entre R$ 1.500 e R$ 4.000 para aeronaves mais simples, dependendo do modelo da aeronave e do dia da semana. “Se o custo da hora trabalhada do executivo for de mil reais e ele perder mais de quatro horas por mês esperando em salas de embarque, sem contar o tempo de voo, vale a pena investir no uso de uma aeronave própria”, diz ele.<\/p>","publish_date":"10\/08\/2016","cover":"um-helicoptero-para-chamar-de-n.jpg","video":""}